Na Sala de Aula - Chuva Ácida

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Prejuízos e Efeitos

 Segundo o Fundo Mundial para a Natureza, cerca de 35% dos ecossistemas europeus já estão seriamente alterados e cerca de 50% das florestas da Alemanha e da Holanda estão destruídas pela acidez da chuva. Na costa do Atlântico Norte, a água do mar está entre 10% e 30% mais ácida que nos últimos vinte anos. Nos EUA, onde as usinas termoelétricas são responsáveis por quase 65% do dióxido de enxofre lançado na atmosfera, o solo dos Montes Apalaches também está alterado: tem uma acidez dez vezes maior que a das áreas vizinhas, de menor altitude, e cem vezes maior que a das regiões onde não há esse tipo de poluição (Fonte:Centro de Divulgação Cientifica e Cultural(CDCC)-São Carlos-USP.) .

Nos Solos

Os solos surgem quando as rochas se desagregam  pela ação do clima e da erosão, e se misturam com a matéria orgânica de origem vegetal e animal. Sem o solo, a maioria das plantas não se desenvolveria. As rochas que dão origem ao solo podem ser ácidas, neutras e alcalinas. Giz e calcário são rochas feitas a partir de carapaças minúsculas, ricas em cálcio.

O cálcio é alcalino e os solos que se desenvolvem a partir dessas rochas são igualmente alcalinos. Quando a chuva ácida se precipita sobre solos alcalinos, o ácido é enfraquecido, ou neutralizado, e os problemas ambientais são poucos.

O granito é uma rocha ácida e muito dura que se desagrega muito lentamente. Os solos surgidos do granito são em geral muito finos, mas capazes de reduzir a acidez da chuva comum a um nível tolerável para as plantas e os animais, mantendo-se, assim, um equilíbrio. A chuva ácida sobrecarrega esse sistema natural e, gradualmente, o meio ambiente se torna ácido demais para manter saudáveis a fauna e flora. Posteriormente, um novo equilíbrio pode ser atingido, mas num nível de acidez que não pode manter uma variedade tão rica de espécies.

Em áreas afetadas pela chuva ácida, os animais e as plantas enfrentam, ainda, outras dificuldades. Os solos contêm naturalmente pequenas quantidades de minerais tóxicos como alumínio, cádmio e mercúrio. Normalmente não causam problemas sérios, mas á medida que a acidez do solo aumenta, intensificam-se as reações químicas que permitem a absorção desses minerais pelas plantas. As plantas são, então, contaminadas e qualquer animal que se alimente delas absorverá os tóxicos, que permanecerão em seus corpos. Os minerais nocivos são também lixiviados do solo para os rios e lagos,, onde podem matar peixes e outros seres vivos. O problema se agrava quando a poluição deposita ainda mais minerais no solo. Em certas regiões da Polônia, descobriu-se que as colheitas continham 10 vezes, mais chumbo do que o limite considerado aceitável (Fonte:Laboratório de Hidrologia da Faculdade de Engenharia Civil – UNICAMP).

Nos Rios, Lagos

Um dos passatempos mais populares na América do Norte e na Europa é a pesca em lagos e rios. Ela é apreciada por milhões de pessoas e dificilmente se encontra um lago, riacho ou rio que não seja usado pelos pescadores. A pesca também é um grande negócio. Não somente porque os direitos de pesca são vendidos para clubes de pescadores, mas também porque muitas pessoas são empregadas na pesca comercial, principalmente de salmão e truta. A criação de peixes tornou-se uma atividade econômica importante em muitas áreas remotas, oferecendo emprego a população local. Sua subsistência, contudo, está ameaçada pela chuva ácida.

Cerca de 90% da água dos rios e lagos passou previamente pelo solo. Com a capacidade do solo para neutralizar os ácidos está diminuindo, e a acidez da chuva está aumentando, a acidez da água nos rios e lagos também está aumentando. Os lagos também recebem a água da chuva que cai diretamente da atmosfera, não havendo possibilidade de reduzir a acidez dessa água pela ação do solo. Desde 1950, a situação tornou-se, certamente, pior nas áreas mais sensíveis da América do Norte e Europa, embora haja indícios de que as condições estão se estabilizando.

Um lago em condições naturais tem pH ao redor de 6,5 e pode manter uma grande variedade de plantas, insetos e peixes. Além disso, há inúmeros animais, incluindo aves, que se nutrem do farto alimento encontrado nesses lagos.

Quando o pH de um lago diminui (com o aumento do nível de acidez), os peixes encontram maior dificuldade para se reproduzir com êxito. A acidez é maior na primavera quando a neve derrete. Esta também é a época em que os ovos dos peixes eclodem, nascendo filhotes. Eles são incapazes de tolerar os altos níveis de acidez e morrem. Não é somente o ácido que os mata, mas também os minerais tóxicos como o alumínio, que são lixiviados dos terrenos circunvizinhos para a água.

As aves que comem esses peixes também sofrem as consequências, pois os minerais tóxicos tornam-se ainda mais concentrados em seus corpos. As cascas de seus ovos tornam-se mais frágeis e podem se quebrar, e quando os filhotes nascem, seus ossos podem estar deformados.

(Fonte:Laboratório de Hidrologia da Faculdade de Engenharia Civil – UNICAMP).

Nas Árvores e Florestas

Até os anos 60 a chuva ácida não era reconhecida como uma ameaça séria para as florestas. A primeira evidência foi encontrada nos Sudetos, uma cadeia de montanhas entre a Polônia e a República Tcheca importante na produção de madeira. Alguns pinheiros apresentavam ramos muito finos e outros estavam morrendo. Em meados dos anos 70 houve um acentuado agravamento desses problemas. Constatou-se que morriam lotes inteiros de árvores, enquanto outros sequer chegavam a se desenvolver. Atualmente, quase 40% da floresta está morta ou em extinção. Extensas áreas que já foram cobertas pela floresta são atualmente campos abertos.

Não passou despercebido que os Sudetos estão situados na direção dos ventos que sopram de uma região cuja dependência do linhito é intensa e que, quando queimado, libera bastante enxofre. O uso dessa substância aumentou de 30 milhões de toneladas, em 1950, para 100 milhões de toneladas em 1980.

Nem todas as regiões se encontram tão seriamente afetadas, mas atualmente há informações vindas de todas as partes do mundo sobre arvores prejudicadas. É fácil reconhecer uma árvore morta, mas na maioria dos casos a morte não se deve diretamente a chuva ácida, que as enfraquece e elas morrem derrubadas pelo vento, ou atacadas por insetos e fungos. As árvores coníferas correm risco maior, embora as árvores decíduas sejam igualmente afetadas (Fonte:Laboratório de Hidrologia da Faculdade de Engenharia Civil – UNICAMP).

 A chuva ácida faz clareiras, matando duas ou três árvores. Imagine uma floresta com muitas árvores utilizando mutuamente, agora duas árvores são atingidas pela chuva ácida e morrem e assim vão indo até formar uma clareira. Essas reações podem destruir florestas. (Fonte: Portal ambiental)

Na Agricultura a chuva ácida afeta as plantações quase do mesmo jeito que das florestas, só que é destruída mais rápido já que as plantas são do mesmo tamanho, tendo assim mais áreas atingidas (Fonte: Portal ambiental)

Em Cubatão, São Paulo, as chuvas ácidas contribuem para a destruição da Mata Atlântica e desabamentos de encostas. A usina termoelétrica de Candiota, em Bagé, no Rio Grande do Sul, provoca a formação de chuvas ácidas no

Fonte: Colégio maristas

Nas Construções

Se você olhar para as diversas construções, especialmente as velhas, poderá notar muito bem que os materiais de construção estão se dissolvendo. Eles desgastam-se naturalmente pela ação do tempo, mas isso leva muitos anos, geralmente alguns séculos. A chuva ácida acelera o processo.

                                   Antes                                   Depois

(Fonte: Organização Educacional Evolutivo) 

Em 1984, a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, Estados Unidos, teve, de ser parcialmente desmontada para restauração, porque a poluição ácida corroeu a estrutura metálica e o revestimento de cobre.

Milhões de dólares foram gastos para recuperar o seu antigo resplendor, mas quem deveria pagar por isso? Quem paga impostos em Nova Iorque, ou fábricas que em princípio, são as responsáveis pela poluição? (Fonte:Laboratório de Hidrologia da Faculdade de Engenharia Civil – UNICAMP).

Monumentos Históricos também estão sendo corroídos: a Acrópole, em Atenas; o Coliseu, em Roma; o Taj Mahal, na Índia; as catedrais de Notre Dame, em Paris e de Colônia, na Alemanha. (Fonte:Centro de Divulgação Cientifica e Cultural(CDCC)-São Carlos-USP.) .

Outro efeito das chuvas normalmente ácidas é a formação de cavernas. Em certas regiões, o sub-solo compõe-se de rochas calcárias, podendo ocorrer infiltrações da água das chuvas, que penetra nos corpos rochosos, causando a sua dissolução na forma de bicarbonato de cálcio. Ao se introduzir por juntas e poros dessas rochas, a água vai alargando os vazios, abrindo canais e, às vezes, cavando grandes espaços ocos (cavernas). Tais cavernas apresentam sob a forma de corredores e salões subterrâneos, alguns de grande extensão. No caso de o teto dessas cavernas desabar, há o afundamento do terreno sobrejacente e a formação de depressões afuniladas que são chamadas "dolinas". Eventualmente as depressões acumulam água, dando origem a lagoas mais ou menos circulares. Já os desabamentos em áreas habitadas provocam a destruição de edificios e vias públicas, como já aconteceu, na década de 80, em cidade da Grande São Paulo.

Nas cavernas calcárias, ocorre a infiltração das águas superficiais ou de lençóis de água subterrânea, carregadas de bicarbonato de cálcio, que afloram no teto, de onde gotejam. Tais gotas, ao serem expostas ao ar, perdem o gás carbônico dissolvido; assim, o bicarbonato de cálcio volta a forma de carbonato, que por ser insolúvel, precipita-se, formando cristais de calcita. No decorrer dos tempos, esses cristais fundem-se em grandes massas pendentes do teto das cavernas; trata-se das estalactitas, que assumem as mais variadas formas (colunas, cortinas, tubas de orgão, figuras de animais etc.). Por processo semelhante, as gotas de água carregadas de bicarbonato que caem no solo formam as estalagmitas. São essas formações que dão extraordináriaria beleza às grutas calcárias, transformando-as em atrações turísticas. Em condições especiais, os cristais de calcita precipitam-se dentro de poças d'água, originando espetaculares estruturas globulares chamadas "pérolas das cavernas". As águas de infiltração que geram as cavernas calcárias podem ser drenadas por cursos d'água subterrâneos, que eventualmente afloram nas proximidades dessas formações geológicas. É de se esperar que o interior das cavernas contenha ar com um alto teor de gás carbônico, que se acumula nas partes baixas (o CO2 é mais denso que o ar), especialmente junto ao solo. Esse fato representa um perigo para os exploradores de cavernas e, em alguns casos, chega a impedir a entrada de pequenos animais, que são sufocados por estarem com as narinas mergulhadas no gás carbônico acumulado próximo ao solo. Um exemplo desse tipo de fenômeno da Gruta do Cão, localizada na Itália.

Há cavernas calcárias em muitas regiões do Brasil, sendo mais famosas as da região da Lagoa Santa, em Minas Gerais: Lapinha, Maquiné, Lapa Nova, Lapa Vermelha e São João del Rei (a Lagoa Santa, por sua vez, que tem forma circular, resultou do desabamento do teto de uma caverna, formando uma dolina que for preenchida por águas subterrâneas). Também bastante conhecidas, as formações do Vale do Ribeira de lguape, em São Paulo, constituem o maior conjunto de cavernas calcárias no pais; entre elas destaca-se a Caverna do Diabo, ponto turístico da região. Existem cavernas deste tipo em outras regiões do Brasil, como a que abriga o Santuário do Bom Jesus da Lapa, na Bahia, e as do vale do Rio Salitre, no estado do Ceará. No âmbito mundial, as mais famosas são as enormes Cavernas de Carlsbad, localizadas no sudoeste do estado do Novo México, nos Estados Unidos.

      Figura extraída do livro Planeta Azul(Fonte:Laboratório de Pesquisa em Ensino de Química-

Faculdade de Educação-USP)

Na Saúde

Em algumas regiões, respirar ar puro implica ameaças a saúde, especialmente para os mais velhos e os que sofrem de asma, ou outros problemas respiratórios, ou, ainda, para aqueles que têm um problema cardíaco. Na Alemanha, as concentrações de dióxido de enxofre na atmosfera tornaram-se tão perigosas, que as pessoas são aconselhadas a não saírem de casa

Em Los Angeles, Estados Unidos, em 1978, algumas indústrias suspenderam por 23 dias a queima de carvão e petróleo, e as atividades escolares externas tiveram de ser canceladas. Entretanto, uma legislação posterior, que visava reduzir a emissão de poluentes dos escapamentos dos carros (a maior fonte dessa poluição), melhorou a situação. 1984 foi o primeiro ano, desde 1985, em que nenhuma medida de emergência precisou ser tomada. A poluição não é, portanto, um resultado inevitável do progresso industrial. Se nós a controlarmos, todos poderemos desfrutar de uma vida mais saudável (Fonte: Laboratório de Hidrologia da Faculdade de Engenharia Civil - UNICAMP).

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